PreSonus StudioLive 16.4.2

Por | 8 de junho de 2012

studiolive_1cHá pouco mais de dez anos, o segmento de consoles digitais era um território restrito a menos de meia-dúzia de fabricantes. Mas, como sempre acontece no mundo dos negócios, todo mercado onde há pouca competição gera “olho grande” e é só uma questão de tempo para que outras empresas apareçam com produtos concorrentes. Obviamente, não é nada fácil disputar contra equipamentos que já têm uma posição consolidada e desfrutam da confiança dos usuários, mas, cedo ou tarde, acaba surgindo alguma nova opção que ofereça algum tipo de vantagem, seja em inovação, em funcionalidade, ou até mesmo no preço.

A PreSonus iniciou suas atividades em meados da década de 1990 e ficou conhecida por seu pré-amp DigiMax e suas interfaces de áudio. Há pouco tempo, lançou o primeiro modelo da linha de consoles digitais StudioLive e, como não poderia deixar de ser, incorporou nele aquelas experiências anteriores bem sucedidas, mas, sobretudo, adicionou um conceito de design bastante funcional e prático, como veremos a seguir.

Visão Geral

A StudioLive 16.4.2 é uma mesa compacta e, como o nome sugere, possui 16 entradas para microfone ou linha, quatro subgrupos e uma saída principal em estéreo. Ela dispõe de saídas direct out e conexões de insert em todos os canais de entrada, dois processadores internos de efeitos e seis buses auxiliares, que podem ser usados para mixagem de monitor ou então como mandadas para processamentos externos à mesa.

No geral, o visual do console é bonito, com cores sóbrias e um layout funcional. A inclinação do painel pareceu bem adequada à operação prolongada, e a largura de 44 cm permite que o console seja montado em um rack de 19” (as abas metálicas para montagem vêm junto com o equipamento). Com exceção da saída para fone de ouvido, que fica no canto inferior direito na frente do console, todos os demais conectores de áudio ficam na parte traseira, de maneira que o painel superior contém apenas os controles e indicadores luminosos. Na parte superior direita do painel fica uma pequena tela de LCD monocromática, que serve para visualizar detalhes de alguns parâmetros e acessar páginas de configurações da mesa, e bem na extremidade superior direita do console há um conector para luminária de 12 V.

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Indicada pela PreSonus para uso tanto em estúdio quanto ao vivo, a 16.4.2 de fato tem características que a tornam “bivalente”, oferecendo recursos que agradam em ambas as situações. O fato de poder funcionar integrada a um computador, via Firewire, faz da 16.4.2 uma ótima opção de interface de áudio multicanal, uma vez que ela possui 16 pré-amplificadores de alta qualidade e recursos essenciais para um estúdio de gravação, tais como compressores em todas as entradas e monitoração imediata das pistas gravadas. Por outro lado, pelo seu tamanho compacto, é um equipamento apropriado para sistemas de sonorização de pequeno porte, tais como teatros, igrejas e auditórios corporativos, já que ocupa pouco espaço e oferece uma quantidade de canais suficiente para essas aplicações.

Em vários aspectos, sua operação é bastante intuitiva, como se fosse uma mesa analógica. Mesmo sendo uma mesa digital, as 16 entradas físicas estão associadas diretamente aos 16 canais de mixagem, cujos níveis são controlados diretamente pelos 16 faders. Por isso, não existem layers de canais e nem é necessário efetuar qualquer tipo de roteamento das entradas para os canais de mixagem (existe até uma matriz de patchbay no software Virtual StudioLive, mas que se limita a rotear os sinais de auxiliares, subgrupos, etc. para as entradas de áudio no computador).

Todos os 16 canais de entrada possuem conectores XLR e 1/4” TRS e conectores de insert TRS. Já as saídas diretas (direct out) dos canais de entrada estão disponíveis agrpadas em dois conectores do tipo DB15. A mesa dispõe de mais duas entradas auxiliares em estéreo (conectores de 1/4”), endereçadas diretamente à saída principal, e uma entrada estéreo Tape In (conectores RCA). Há ainda uma entrada para microfone de talkback, que pode ser endereçada aos auxiliares e à saída principal. Esta entrada, um conector XLR no painel traseiro, tem a alimentação phantom permanentemente ligada e seu ajuste de ganho é feito por um pequeno botão de volume ao lado do conector.

Quanto às saídas, o sinal estéreo principal (Main) está disponível através de conectores XLR, 1/4” TRS e RCA (Tape Out). A saída estéreo Main também é mixada para mono e vai para um conector XLR específico. Tanto as saídas Main estéreo quanto a saída Main mono dispõem de um botão de volume, bem ao lado dos seus conectores. No painel traseiro estão disponíveis ainda as saídas em estéreo para monitoração (Control Room), as quatro saídas dos subgrupos e as seis saídas dos auxiliares, todas em conectores de 1/4” TRS. Além destes, existe também um conector digital S/PDIF (RCA), cujo sinal de saída pode ser selecionado pelo operador (Main, subgrupos, auxiliares, talkback, etc.).

Em cada strip de canal de entrada há um botão de ajuste de ganho, uma chave de acionamento individual da alimentação phantom, uma chave para escolher entre o sinal da entrada física e o sinal vindo do computador, uma chave Select para habilitar a operação no canal, as chaves de Solo e Mute e um fader de 100 mm. Os strips são identificados em três regiões do painel (abaixo dos botões de ganho, acima das chaves de Select e abaixo dos faders), o que diminui bastante a possibilidade de erro do operador. A iluminação é um dos pontos fortes do painel: as teclas que estão acionadas ficam acesas, e as teclas que não estão acionadas ficam acesas bem suavemente, o suficiente para serem identificadas num ambiente escuro, como é o caso de teatros, por exemplo.

A linha StudioLive usa os mesmos pré-amplificadores XMAX adotados no DigiMax e nas interfaces FireStudio, que são circuitos amplificadores do tipo classe A, implementados com componentes discretos (transistores, e não circuitos integrados). De acordo com a PreSonus, eles operam alimentados com 30V, enquanto os amplificadores operacionais comuns são alimentados de 10V a 18V, e esta tensão de alimentação mais alta proporciona um headroom maior, com graves mais profundos, agudos mais suaves e uma sonoridade geral mais cheia. De fato, os prés da 16.4.2 possuem uma faixa de ganho muito ampla e uma resposta extremamente plana.

Apesar de só ter seis mandadas auxiliares, o que pode ser pouco quando se precisa mixar a monitoração para bandas maiores, a 16.4.2 tem a vantagem de não ocupar esses auxiliares com os efeitos internos, que possuem suas próprias mandadas. Na verdade, para aplicações que requerem mais canais de entrada e mais auxiliares, a PreSonus oferece a StudioLive 24.4.2, com 24 canais de entrada e 10 auxiliares.

Apertando as teclas e mexendo nos botões

Operar a 16.4.2 é bem fácil, porque o conceito fundamental da mesa é ter tudo na mão, sem a necessidade de selecionar layers ou abrir páginas na tela. Na área azul, no centro do painel, fica o chamado Fat Channel, um conjunto de chaves, botões e barras de leds que servem para controlar e visualizar uma variedade de parâmetros do canal que se está operando. Quando um canal de entrada é selecionado (pressionando-se a respectiva tecla Select no strip), o Fat Channel apresenta, da esquerda para a direita, os controles e parâmetros dos processamentos daquele canal, que são: filtro passa-altas (ajustável até 1 kHz), tecla de inversão de fase, Gate/Expander, Compressor, Limiter e EQ de 4 bandas. Os parâmetros desses processadores podem ser ajustados por meio de 16 botões rotativos (encoders), sendo que acima de cada um deles há uma barra de leds com uma escala que indica a posição (valor) do ajuste do respectivo parâmetro. Desta forma, o operador tem uma visualização geral e imediata de todos os parâmetros do canal, podendo atuar diretamente naquele que deseja. O Fat Channel também mostra os controles e parâmetros dos processamentos existentes nos auxiliares, nos efeitos, nos subgrupos, nos canais de retorno e também na saída Main (veja na tabela os recursos disponíveis para cada canal e bus da mesa).

Inversão de fase

Filtro HPF

Noise Gate

Compressor

EQ

Limiter

Entradas 1-16

X

X

X

X

X

X

Subgrupos

X

X

X

X

Saída Main

X

X

X

X

Auxiliares 1-6

X

X

X

X

FX Internos A e B

X

X

X

X

Retornos A e B

X

X

X

X

As barras de leds também funcionam como medidores de nível dos sinais, podendo mostrar os níveis de entrada, os níveis de saída ou a quantidade de redução de ganho (GR) nos sinais dos 16 canais de entrada ou os níveis dos sinais nos seis auxiliares e nos 2 efeitos. Como os faders não são motorizados, as barras de leds também servem para indicar a posição onde os faders devem ser posicionados ao se chamar uma cena de mixagem da memória, isto é, as barras de leds mostram o ponto até onde o operador deve mover cada fader para posicioná-los nas posições salvas na memória. Os níveis dos subgrupos e da saída Main são mostrados em barras de leds específicas, logo acima da tela de LCD.

studiolive_2

Os 16 encoders e as 16 barras de leds também são usados para ajustar os níveis de mandada para os auxiliares. Ao selecionar qualquer auxiliar, basta pressionar sua respectiva tecla Mix para visualizar nas barras os níveis de mandada dos 16 canais para aquele auxiliar, e ajustá-los usando os encoders. Este mesmo procedimento é usado para ajustar os níveis de mandada dos canais para os processadores internos de efeitos.

Na parte de baixo da área do Fat Channel há ainda o encoder do Pan, com uma barra de leds horizontal mostrando sua posição, as teclas de endereçamento do canal para subgrupos e Main, e ainda a tecla de Link, que permite acoplar um par adjacente de canais, de auxiliares ou de subgrupos.

Todos os ajustes efetuados nos parâmetros do Fat Channel podem ser salvos em 100 presets de memória, para uso posterior (50 prestes já vêm com configurações prontas para diversos tipos de instrumentos e vozes). As operações de memória (Load e Save) são muito rápidas e requerem poucas ações. Também é possível copiar os ajustes de um canal para outro, e neste caso o procedimento é extremamente ágil: basta selecionar o canal a ser copiado, pressionar Copy e começam a piscar todas as teclas Select dos demais canais, aguardando o usuário selecionar em quais deles deverão ser copiados os ajustes (é possível copiar os ajustes de um canal para vários destinos) e em seguida pressionar Load.

Ainda na cadeia de processamentos do Fat Channel, o processador do Gate pode ser configurado (individualmente em cada canal) para operar alternativamente como Expander. O compressor contém controles básicos, incluindo uma opção de atuação gradual (Soft Knee) e um modo de ajuste automático de tempos de Attack e Release. O EQ dispõe de quatro bandas, sendo que nas baixas e nas altas o filtro pode ser configurado como semiparamétrico ou shelf, e nos médios-graves e nos médios-agudos há duas opções de ajuste do Q (0.55 ou 2.0). O ganho em todas as bandas pode ser ajustado entre -15 dB e +15 dB. Seria interessante que as bandas permitissem o ajuste da frequência em todo o espectro, ou então que pelo menos nos EQs dos subgrupos uma das bandas pudesse atuar como low-passs para possibilitar o corte do sinal que vai para um subwoofer.

Embora a 16.4.2 que recebi tenha vindo com um só EQ gráfico de 31 bandas aplicado à saída Main, quando atualizei o firmware interno da mesa para a versão 1.5 passaram a ser oito equalizadores gráficos desse tipo, sendo dois para a saída Main e um para cada saída auxiliar. Para poder ajustar as bandas dos EQs gráficos é preciso acessar a respectiva página na tela para que as bandas apareçam nos leds do Fat Channel. Outra adição da versão 1.5 são os delays nos subgrupos, que podem ser ajustados até 500 ms.

Os processadores internos de efeitos limitam-se a produzir efeitos de ambiência, basicamente reverbs e delays, mas é possível editar vários parâmetros e salvar os ajustes na memória da mesa. As mandadas de sinal dos canais para os efeitos são buses específicos (não ocupam os auxiliares) e os retornos dos efeitos podem ir para quaisquer dos subgrupos ou para as saídas Main. Não é possível insertar efeitos em um canal, o que não faz muita falta já que são só efeitos de ambiência.

Assim como em outros consoles digitais, a 16.4.2 também pode memorizar cenas com configurações completas de mixagem. Este é um recurso de grande utilidade para agilizar a operação, sobretudo em locais onde situações diferentes se repetem frequentemente, como em igrejas, por exemplo. São 79 memórias de cena (e mais uma “zerada”, com condições iniciais básicas), onde ficam salvos os ajustes de Mute, efeitos, endereçamentos, EQs, dinâmica, mixagens de auxiliares e posicionamento dos faders (os ajustes de ganho dos prés não são memorizados). No caso do ajuste dos faders, pelo fato deles não serem motorizados é preciso que o operador, depois de carregar a cena, “localize” com os faders da mesa os valores que estavam salvos na cena, usando as barras de leds dos medidores para se guiar até posicionar fisicamente o fader no valor do ajuste da cena. É um pouco trabalhoso, mas funciona. Um detalhe operacional importante: é preciso prestar atenção ao se carregar uma cena, porque não há um pedido de confirmação antes de carregá-la efetivamente, bastando selecionar a cena e pressionar Recall. No entanto, o console permite bloquear esta operação e algumas outras, para evitar uma ação acidental. De qualquer forma, todas as teclas atuam de forma precisa e não é fácil acioná-las esbarrando acidentalmente.

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Integração com o Smaart

De acordo com a PreSonus, a partir da versão 1.6 do firmware, o console passará a dispor da tecnologia de medição de áudio do conhecido software Smaart diretamente no Virtual StudioLive. Isto permitirá usar os equalizadores das saídas da StudioLive para ajustar melhor o som do PA, identificando, por exemplo, frequências de realimentação do sistema.

Através da tecla de EQ gráfico, no Virtual StudioLive, poderão ser ativados os algoritmos de RTA e espectrograma, que mostrarão o conteúdo do sinal que passando pelo respectivo EQ. O recurso do espectograma será implementado nas telas do Virtual StudioLive e também será incorporado o Smaart Locator, um localizador de delay que facilitará o uso da função de delay de saída que foi incluído aos subgrupos da console a partir do update 1.5 do firmware. Ainda de acordo com a empresa, as versões futuras do Virtual StudioLive também terão a adição do algoritmo Smaart Response, para medidas de resposta de frequência.

Conectando ao computador

Para conectar a 16.4.2 ao computador pode-se usar qualquer uma das duas portas Firewire localizadas no painel traseiro do console. A outra porta serve para conectar outro console em modo “cascade”, para ampliar o número de canais de entrada, sendo possível encadear várias 16.4.2 via Firewire.

O CD que vem com o equipamento instala o driver (ASIO/WDM), o painel de controle Universal Control e o Virtual StudioLive, um software que opera em tempo real junto com a mesa e, além de apresentar na tela do computador todos os parâmetros, permite editá-los graficamente usando o mouse. O procedimento de instalação é simples, bastando seguir as informações na t la do computador. Testei a mesa junto com um PC rodando Windows XP e não tive qualquer tipo de problema com o Virtual StudioLive ou com softwares de gravação de áudio.

No Universal Control é possível verificar se a versão do firmware (software interno do console) é a mais atual, e ele mesmo se encarrega de efetuar a atualização. A mesa que recebi para teste ainda estava na versão 1.1, e para atualizar para a última versão 1.5 foi necessário primeiro atualizar para a v.1.2. Este procedimento foi relativamente fácil, já que os respectivos softwares podem ser obtidos rapidamente no site da PreSonus. Portanto, é recomendável verificar periodicamente no site se há versões mais novas do driver, do software e também do firmware.

Uma vez instalado o driver, a 16.4.2 é reconhecida como dispositivo de áudio em qualquer software de gravação (DAW) que suporte ASIO ou WDM (ou CoreAudio, no Mac), e aparece com um total de 32 entradas e 18 saídas de áudio em 24 bits (a taxa de amostragem pode ser selecionada para 44.1 kHz ou 48 kHz no próprio console ou no software Universal Control). Das 32 entradas de áudio, 16 são as respectivas entradas físicas da mesa e as demais podem ser roteadas dos buses de Main, subgrupos, auxiliares, retornos, efeitos, Tape In, talkback e Solo. Ou seja, é possível gravar no computador tudo o que passa dentro do console. Por outro lado, as 18 saídas de áudio no software são reproduzidas através dos 16 canais da mesa e mais o estéreo Tape In. Os sinais reproduzidos pelo software no computador podem ser monitorados imediatamente na mesa, pressionando-se a tecla com o símbolo do Firewire que existe em cada canal de entrada e no Tape In. Desta forma, a 16.4.2 opera como uma poderosa interface de áudio, com 16 entradas de microfone, todas com pré-amps XMAX, phantom power e processamento de dinâmica. O ajuste de latência pode ser efetuado na configuração do Universal Control e o driver proporciona atrasos bem baixos, adequados não só para monitorar uma gravação mas também para usar o computador como processador externo, em tempo real, mandando um sinal da mesa via Firewire para um plug-in no computador e retornando para a mesa.

Embora se comunique bidirecionalmente com o Virtual StudioLive, transferindo os estados de controles para este software e recebendo dele as alterações feitas em suas telas, a 16.4.2 não opera como “superfície de controle” de softwares de gravação e produção musical, o que é uma pena. Espero que a PreSonus incorpore esta funcionalidade no futuro, já que isto ampliaria bastante as aplicações da mesa em estúdios.

Apesar de funcionar muito bem com qualquer software de gravação que aceite dispositivos ASIO, WDM ou AU, a StudioLive 16.4.2 também já vem com dois softwares de áudio. O Capture é um gravador multipistas desenvolvido especificamente para ser usado com as mesas StudioLive, para gravação ao vivo. Com versões para PC e Mac, ele permite gravar até 34 pistas, inserir marcadores em tempo real para indicar os pontos onde termina uma música e começa outra, fazer edições básicas no áudio e também pode exportar o material gravado para arquivos em formato WAV e OpenTL. Uma das aplicações sugeridas para o Capture é usá-lo para reproduzir através do console gravações multicanais feitas ao vivo, para realizar a passagem de som sem ter os músicos no local (ele pode importar arquivos WAV e AIFF). O outro software fornecido com a 16.4.2 é o Studio One, na versão Artist, também para PC e Mac. Este é um software de gravação e mixagem de áudio em multipistas, com recursos para sequenciamento MIDI, edição do material de áudio, automação de mixagem, plug-ins de processamento e outras funcionalidades necessárias para produção musical.

Uma situação que está ficando comum em sistemas de sonorização é o controle do console de fora da house-mix, com o operador de áudio usando algum tipo de dispositivo móvel para ajustar detalhes da mixagem a partir de algum ponto da plateia. Para auxiliar neste sentido, a PreSonus oferece o software StudioLive Remote para iPad, que pode ser obtido gratuitamente na Apple App Store. Uma vez estabelecida uma conexão sem fio com um computador (Mac ou PC) que esteja conectado a uma 16.4.2 e rodando Virtual StudioLive, é possível usar um ou mais iPads para visualizar e controlar todos os parâmetros do console.

Também está disponível gratuitamente na App Store o aplicativo QMix, que funciona dentro do mesmo conceito do StudioLive Remote para iPad. O QMix permite que até seis músicos, a partir de seus aparelhos de iPhone ou iPod Touch, controlem simultaneamente as mixagens de monitor nos auxiliares da 16.4.2. Para isso é necessário conectar os iPhones ou iPods em rede sem fio com um computador (Mac ou PC) e habilitar neste o controle remoto do QMix sobre o Virtual StudioLive, que então controla o console conectado via Firewire.

No final das contas

Os grandes destaques da StudioLive são, sem dúvida, a funcionalidade e a facilidade de operação. Ter tudo à mão e poder atuar imediatamente em qualquer canal é o que todo operador deseja, principalmente neste segmento de consoles compactas.

O fato de não possuir faders motorizados, embora possa dar mais trabalho na recuperação de cenas, não chega a ser propriamente uma deficiência, já que, pelo fato de não haver layers, os canais controlam sempre as respectivas entradas. Por outro lado, a mesa oferece recursos interessantes, como saída adicional em mono, alimentação phantom individual e delays nos subgrupos. O conceito do Fat Channel funciona muito bem, agilizando bastante a operação, e a qualidade reconhecida dos prés XMAX valorizam significativamente o equipamento.

Uma das vantagens agregadas a 16.4.2 é seu funcionamento como interface de áudio, que a torna interessante não só como equipamento central de um estúdio mas também abre mais campos no uso em sonorização, com a possibilidade de gravação multicanal de espetáculos, debates, etc. Pode-se questionar a implementação da comunicação com computador via porta Firewire, que está ficando cada vez mais difícil de ser encontrada nos novos computadores, mas provavelmente não seria possível obter o mesmo desempenho se fosse usada comunicação via USB 2.0.

No geral, acho que a PreSonus acertou bem com o conceito funcional e prático adotado na StudioLive e tem grandes possibilidades no mercado crescente de consoles digitais de pequeno porte. A operação é fácil e intuitiva e a qualidade não deixa nada a desejar. Não é à toa que a linha StudioLive já ganhou três vezes o prêmio MIPA (Musikmesse International Press Award).

Gostei:

  • Praticamente todos os controles aparecem no painel
  • As teclas não acionadas ficam semi-iluminadas, facilitando a operação
  • Phantom power individual
  • Compressor, gate e EQ de 4 bandas em todos os canais (entradas, subs, aux e main)
  • EQs gráficos na saída principal e nos seis auxiliares
  • Saída adicional em mono
  • Cascade via Firewire
  • Interface de áudio com 32×18 canais
  • Atualização prática e eficiente do firmware
  • Integração futura com Smaart
  • Alimentação de 90 a 240 V

Não gostei:

  • Não tem função de superfície de controle para software de gravação/mixagem
  • Ajuste limitado da frequência nas bandas do EQ do canal
  • Processadores de efeitos somente com reverb e delay
  • Não possui entrada de áudio digital S/PDIF

 

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS PRINCIPAIS

  • 16 canais de entrada para mic/linha com pré-amps e alimentação phantom
  • 16 inserts / 16 direct out
  • 4 subgrupos
  • 6 buses de auxiliares
  • Saída estéreo e mono
  • Latência dentro do console (Mic In – Main Out): 1,82 ms @ 48 kHz
  • Faders de 100 mm
  • Talkback
  • Link estéreo de canais e subgrupos
  • Entrada/saída estéreo 2-Track
  • Saída estéreo para monitor (Control Room)
  • Saída estéreo digital S/PDIF
  • 2 processadores internos de efeitos
  • Filtro high-pass, gate/expander, compressor e EQ 4 bandas em todos os canais
  • Interface de áudio 32 x 18 canais via Firewire
  • Alimentação: 90 a 240 VAC
  • Consumo: 100 W
  • Dimensões (LxPxA): 65 x 57 x 18 cm
  • Peso: 23 kg

 

Copyright ©2012 Miguel Ratton