Sincronizando baterias eletrônicas analógicas

Por | 10 de outubro de 2017

A sincronização de instrumentos musicais eletrônicos é um recurso antigo, e tem sido adotado desde as baterias eletrônicas totalmente analógicas, antes mesmo do desenvolvimento do protocolo MIDI.

Como não dispunham de processamento digital, as baterias eletrônicas e sequenciadores analógicos pré-MIDI usavam sinais de sincronismo relativamente simples para sinalizar os tempos (beats) de um instrumento para os outros. Basicamente, o sincronismo é conseguido enviando uma série de pulsos de tensão, geralmente com polaridade positiva e com amplitude de +5V ou mais, cuja frequência é diretamente proporcional ao ajuste do andamento da música. Funciona de maneira parecida com o MIDI Clock, embora não seja um código digital.

Um dos formatos de sincronismo analógico mais populares é o “DIN Sync”, adotado pela Roland em várias das suas drum machines da série “TR”. Esse formato, também chamado de “Sync-24”, usa um cabo com conector DIN (o mesmo adotado depois pelo MIDI – mas não é um cabo de MIDI!) e dois sinais eletrônicos, um para iniciar e parar a música (Run/Stop) e outro para sinalizar os tempos do andamento da música (Tempo Clock), conforme mostra a figura a seguir (alguns modelos usam também os pinos 4 e/ou 5 para outras funções). Note que um cabo específico para MIDI, que usa os pinos 2, 4 e 5, não funciona com equipamentos sincronizados via DIN Sync, que usa os pinos 1, 2 e 3.

Os sinais de sincronismo no padrão DIN atuam da seguinte maneira: quando o sinal de Run/Stop, que estava em repouso (0 V), sobe para +5V a bateria eletrônica inicia a execução e, a partir daí, o sinal Tempo Clock pulsa de 0V para +5V na cadência de 24 pulsos para cada tempo de semínima (quarter note); quando o sinal de Run/Stop, volta para 0 V, também são interrompidos os pulsos de Tempo Clock e a bateria para a execução. A taxa de pulsos é de 24 pulsos por semínima (24 ppq – pulses per quarter note), que é a mesma adotada para o MIDI Clock.

No final da década de 1980, com a popularização do MIDI e das baterias digitais com sons sampleados, as baterias eletrônicas analógicas foram ficando esquecidas. No entanto, desde o início deste século, começou a renascer o interesse pelos equipamentos musicais mais antigos, com uma consequente valorização dos sintetizadores e baterias eletrônicas implementados com tecnologia analógica. Para poder integrar esses antigos instrumentos com os sistemas digitais, interconectados via MIDI e USB, intensificou-se a procura por interfaces que traduzam as mensagens de MIDI para os sinais analógicos apropriados, e vice-versa.

Dessa forma, para que se possa controlar uma bateria eletrônica analógica via MIDI, é necessário um conversor que receba as mensagens de MIDI de tempo real (MIDI Clock, Start, Stop) e produza os sinais de pulso de Run/Stop e Tempo Clock, descritos acima. Muitos dos conversores disponíveis para isso também podem fazer a conversão inversa, isto é, receber os sinais analógicos e gerar as mensagens de MIDI.

É importante observar que o padrão DIN Sync criado pela Roland não é universal, e existem outros formatos desenvolvidos por outros fabricantes. A Korg, por exemplo, adotou um sinal de clock que gera um pulso de +5V a cada step do pattern da bateria. Como cada step equivale a uma figura de tempo de semicolcheia, a taxa de pulsos é igual a 4 ppq (pulsos por semínima). Isso significa que, para poder controlar baterias eletrônicas de fabricantes diferentes, pode ser necessário alterar a taxa de ppq no conversor – caso contrário, a bateria tocará com andamento acelerado ou reduzido, dependendo da situação. Além disso, embora o sincronismo via MIDI possa retomar a execução do ponto em que parou, usando a mensagem MIDI de Continue, na maioria das baterias eletrônicas analógicas ao se parar a execução usando os sinais de DIN-Sync só é possível reiniciar da cabeça do compasso ou do início da música.