Cuide do seu ouvido

(publicado em abr/2013)

Não sei como algumas pessoas conseguem ouvir música em volume tão alto. Outro dia, fui conhecer uma casa noturna e fiquei impressionado com o nível sonoro do local. Não aguentei cinco minutos e me afastei para o fundo. O técnico de PA da casa me disse que, depois de ajustar o som, usa protetores auriculares a maior parte do tempo.

Nas ruas, nos ônibus, em toda parte, vemos muitos jovens com seus fones e aquele zumbido característico vazando das suas orelhas, denunciando os danos que virão no futuro.

Numa conversa que tive com um médico otorrino, soube que alguns operadores de áudio o consultaram para uma avaliação de seus ouvidos e em todos foi detectada alguma perda auditiva. São profissionais jovens, ainda no início de suas carreiras, mas que correm um enorme risco de não conseguirem seguir seu percurso profissional por muito tempo.

Já estive em lugares onde os agudos estavam tão exagerados que me levaram a concluir que o técnico já estava ficando incapacitado para operar o som.

É lamentável que não haja uma consciência maior, não só por parte dos profissionais mas também do público. Na maioria das cidades do Brasil existem leis que estabelecem limites de nível sonoro para a comunidade, isto é, áreas externas. Uma norma do Ministério do Trabalho regulamenta os níveis sonoros máximos a que as pessoas podem ficar expostas. Se medirmos o volume do som nas casas noturnas, concluiremos que não se pode permanecer lá dentro por mais de uma hora.

O ouvido é o elo mais valioso no caminho do som e, apesar de pesquisas animadoras com células-tronco, os danos que a nossa audição sofre com níveis sonoros muito intensos ainda são irrecuperáveis. É o único equipamento do nosso sistema que não poderemos trocar quando parar de funcionar.