O bom exemplo do IBM-PC

(publicado em dez/2012)

Há uns três meses, o computador dos meus filhos parou de funcionar e verifiquei que era a fonte de alimentação que tinha pifado. Como hoje em dia não compensa tentar consertar um componente desses, decidi comprar outra fonte. Mas, como eu tinha um gabinete de PC esquecido dentro do armário, resolvi antes fazer um teste com a fonte daquele PC antigo. Conferi se a potência da fonte era adequada e em seguida instalei-a no computador dos garotos. Para minha felicidade, a máquina ligou, deu aquele bip característico e iniciou o Windows normalmente. E continua funcionando sem problemas desde então.

Desenvolvido pela IBM ainda no começo da década de 1980, o projeto do PC foi concebido para ser funcional, robusto e, acima de tudo, viável. Numa época em que os componentes de computadores ainda não tinham se transformado em commodities, a modularidade da arquitetura era um conceito fundamental. Placa-mãe com processador e memórias instalados em soquetes, conectores para instalação de placas de vídeo e de outras funções, fonte de alimentação, unidades de discos – tudo pode ser substituído em partes, facilitando não só a manutenção, mas também a atualização dos componentes de hardware.

Embora algumas características do projeto original tenham evoluído e se modificado um pouco nos anos seguintes, o conceito primordial foi preservado e, desde o modelo AT, o padrão continua sendo seguido por uma infinidade de fabricantes de componentes em todo o mundo. Graças a essa fabulosa compatibilidade é que meu computador pôde ser salvo com um transplante de peça de um modelo de 2003.

Infelizmente, a maioria das indústrias não segue esse princípio, e a cada ano somos compelidos a jogar fora muita coisa que ainda poderia ter alguma utilidade. Apesar de todo o apelo da mídia pela preservação dos recursos naturais e pela redução de resíduos, o conceito de reuso ainda não é uma prática na indústria da tecnologia.

Quando idealizou o PC, a IBM aproveitou toda a sua experiência em computação, inclusive o visual quadrado dos racks dos mainframes. O design pode ser um aspecto forte, mas a beleza tem que ficar em segundo plano, principalmente no caso dos computadores de mesa, que atualmente são mais usados sob a mesa. Computadores são objetos funcionais e devem ser projetados com foco na praticidade e no desempenho. É por isto que o PC está aí até hoje.