Som fora de controle

(publicado em nov/2012)

A 29a edição da Expomusic, realizada em São Paulo em setembro, teve um público de cerca de 50 mil visitantes e gerou mais de 250 milhões de reais de vendas nos três dias de visitação exclusiva para lojistas e empresários do ramo. A evolução do setor tem sido impressionante, acompanhando o crescimento e a consolidação da economia brasileira, e grande parte das empresas já atingiu um grau de profissionalismo muito alto. Alguns fabricantes nacionais já têm produtos capazes de competir com similares importados, e na maioria dos estandes vemos pessoas realmente capacitadas para demonstrar o que está ali à mostra.

Em termos de organização, houve melhorias em vários aspectos. O espaço vem se ampliando para dar conta do maior número de expositores, já que todas as principais empresas do setor têm participado (felizmente, não ocorrem mais aquelas “exposições paralelas”, que dividiam o público e acabavam prejudicando a todos). As empresas se empenham – e investem – bastante para que seus estandes tenham um visual moderno e atrativo, assim como também adotam layouts funcionais para o movimento dos visitantes.

Mas o que me incomoda sempre – e a outras pessoas que comentaram sobre o assunto – é o desconforto do excesso de barulho dentro do evento. Sim, barulho, porque uma infinidade de fontes sonoras reproduzindo, ao mesmo tempo, músicas diferentes e em alto volume acaba se tornando um grande caos sonoro. Fica difícil conversar com as pessoas e não se pode ouvir direito as explicações sobre os equipamentos. No final das contas, não se consegue avaliar auditivamente qualquer produto, nem mesmo usando fones de ouvido.

Apesar de haver uma regulamentação em relação ao nível sonoro máximo produzido nos estandes, muitos dos expositores não parecem preocupados com isto. Mas deveriam, porque o som alto e fora de controle irradiando de todos os lados é um fator negativo para todo mundo. Aumentar o volume para se sobrepor ao barulho do vizinho não adianta nada – é como jogar gasolina no fogo.

É claro que não dá para experimentar direito uma bateria ou uma guitarra tocando baixinho, mas também não existe a menor condição de se avaliar a capacidade sonora de um line-array num evento como esse. Acho que os instrumentos que não podem ser avaliados razoavelmente através fones de ouvido deveriam ser colocados em recintos apropriados. Algumas empresas fazem apresentações musicais em ambientes fechados dentro dos estandes, mas esta solução raramente é adotada para os instrumentos que estão à disposição dos visitantes.

Embora haja atualmente uma grande preocupação com o meio ambiente, a ponto do organizador da feira disponibilizar caixas coletoras para os visitantes descartarem seus crachás, parece que o ruído ambiental ainda não é tratado com a devida importância, sobretudo em um evento onde o som é a atração principal.

De qualquer forma, mesmo com a barulheira, conseguimos fazer uma boa cobertura da Expomusic, transmitindo vídeos em tempo real diretamente do estande da AM&T. Os detalhes do evento você pode conferir nesta edição.