Por uma boa alimentação

(publicado em jul/2012)

Dizem que a música é o alimento para a alma. De fato, a música tem a capacidade de influir no estado de espírito das pessoas, assim como a comida, dependendo do sabor, quantidade e qualidade, pode provocar diferentes sensações em nosso organismo. Acho que as diversas sensações do que ouvimos podem ser comparadas, metaforicamente, com a variedade de sabores do que comemos.

Podem fazer bem ou mal, saciar completamente ou aguçar ainda mais a vontade.

Vejamos, por exemplo, o caso de uma música bem simples, executada apenas com voz e violão: se a voz é boa, o violão bem tocado e a melodia e a harmonia se combinam, podemos comparar a uma fruta, que, mesmo sendo simples, pode ser deliciosa. Por outro lado, um arranjo complexo e sofisticado, com muitos instrumentos e todos ocupando espaço e tempo certos, seria algo comparável a uma mesa farta e variada, onde podemos experimentar muitas sensações diferentes e todas muito boas.

A satisfação pode estar em uma feijoada, um sushi, um churrasco ou uma salada. Gosto não se discute, mas em qualquer dos casos, a qualidade é fundamental. E assim como a qualidade dos ingredientes influi no resultado de uma refeição, a qualidade sonora também influi nas nossas sensações.

Traçando um paralelo entre música e comida, podemos sugerir algumas comparações:

Som com excesso de agudos = comida salgada demais

Som com espectro limitado; só médios = comida sem gosto; faltando alguma coisa

Som baixo; não dá pra ouvir direito = pouca comida; sensação de fome

Som com muito volume = comida demais; excesso

Som saturado = comida gordurosa; não vai fazer bem…

Compositores, arranjadores e produtores são como chefs, verdadeiros artistas que conseguem mexer com nossas sensações. O segredo está na escolha dos ingredientes e na maneira de misturá-los. A arte de usar os sons para sensibilizar o paladar musical das pessoas não é uma atividade para qualquer um. Tem que ter talento e gosto para ser um verdadeiro gourmet.