Upgrades, alegrias e tristezas

(publicado em ago/2011)

Sou usuário de PC desde os tempos do MS-DOS, aquele sistema operacional em modo texto que rodava softwares com telas de visual meio tosco. O Mac era a plataforma preferida dos músicos naquela época, porque já oferecia softwares de edição de partitura em modo gráfico, mas como era muito mais caro do que o PC, ter um Mac ainda era um sonho para a maioria de nós.

Quando surgiu a primeira versão do Windows, o interesse não foi grande porque não funcionava bem, havia poucos softwares disponíveis e a maioria das pessoas já dominava seus sequenciadores em modo texto no MS-DOS. Mas a versão 3.1, lançada no início da década de 1990, foi realmente um divisor de águas para os usuários de PC, porque trazia muitas melhorias na interface gráfica e nos recursos operacionais e, principalmente para nós, oferecia suporte a dispositivos “multimídia”. A partir daí, acreditem, comprei todas as versões do Windows (exceto o Vista), mas a transição de uma para outra sempre foi uma mistura de prazer e dor.

É indiscutível que, no geral, os softwares têm evoluído ano após ano, mas existem coisas nas novas versões que nem sempre são melhores. Nunca entendi porque alguns recursos úteis são eliminados ou porque modificam funções ou procedimentos que já estávamos acostumados. Por que certas falhas ou inconsistências nunca são resolvidas? Por que que os recursos de compatibilização para versões anteriores nunca funcionam nos softwares e drivers antigos que ainda temos que usar?

Relutei durante um ano para migrar para o Windows 7 porque minha interface de áudio não possui driver para ele e, ao que tudo indica, o fabricante não irá fazê-lo. Ok, é uma interface “velha”, com cerca de seis anos, mas tem funcionado maravilhosamente bem durante todo esse tempo, operando sem problemas e com latência de 3 ms! Vou ter que vendê-la (barato) e comprar outra mais “moderna”. É nessas horas que dá um desânimo em fazer upgrade.

Resignado, instalei o Windows 7 no notebook para me ambientar e notei que continuo tendo que clicar em “iniciar” para “encerrar” minha sessão e desligar o computador. Notei também que mesmo configurando a aparência para “clássico”, que já estou acostumado, o acesso rápido à área de trabalho passou do lado esquerdo para o lado direito do rodapé. Deixaram o que era esquisito e mudaram o que era clássico.

Há vários casos semelhantes em outros softwares. Nunca me conformei pela Cakewalk não ter mantido o MIDI Piano, um tecladinho virtual muito útil do antigo Pro Audio. Já estava lá e não custava nada! Recentemente, na versão X1 foram alteradas quase todas as teclas de atalho do Sonar – talvez para ficar mais prático para os novos usuários.

E essas coisas não acontecem somente nos softwares. O novo MacBook Pro, por exemplo, só vem com portas USB do lado esquerdo. Azar de quem precisa de mouse e não é canhoto. Há também o caso dos novos modelos de uma linha de teclados controladores MIDI, em que a porta USB que ficava bem no meio do painel traseiro passou para a lateral esquerda. Azar de quem usava o computador do lado direito do teclado.

Há quem diga que esses inconvenientes são o preço que se paga pela evolução. Pode ser. Passamos a infância querendo ser adultos, mas quando nos tornamos adultos percebemos como era bom ser criança. É assim também no mundo da tecnologia, onde algumas coisas não têm volta e quase sempre temos que perder um pouco em troca de algo novo. A verdade é que, quando levo mais de uma hora instalando um software de dois ou três DVDs, confesso que tenho saudade dos programinhas para MS-DOS, que ocupavam poucos kilobytes e cabiam em um disquete.