Uma questão de gênero

(publicado em jun/2012)

Sempre que vou ao evento da AES fico intrigado com a desproporcionalidade entre participantes homens e mulheres. Por que nosso setor profissional tem tanta predominância masculina?

As mulheres ganharam espaço na maioria das categorias profissionais. Quando fiz meu curso de engenharia (ok, já faz muito tempo), havia apenas 5 mulheres numa turma de quase 50. Hoje, no entanto, a ala feminina ocupa praticamente a metade das vagas nos cursos de tecnologia. Observo a mesma coisa na medicina, no direito e em quase todos os demais campos de trabalho. Dentistas, arquitetas, administradoras, policiais e motoristas desempenham suas funções sem qualquer desvantagem em relação aos colegas homens.

A presença feminina na área musical é histórica, seja ensinando (quem não teve uma professora de música?), seja executando. Apesar de não vermos muitas baixistas, guitarristas e bateristas por aí, a música brasileira está repleta de cantoras, compositoras e pianistas, muitas delas excelentes. Vemos também muitas violinistas e violoncelistas se destacando em orquestras.

E por que pouquíssimas mulheres se interessam pela área de áudio? Sinceramente, não tenho ainda uma explicação para isto. O ambiente profissional não é mais rude para a natureza feminina do que um canteiro de obras. Não exige mais técnica, habilidade – e responsabilidade – do que um parto. Não requer mais conhecimento e estudo do que pesquisas sobre vírus ou sobre o genoma humano. Não consome mais estudo, reflexão e paciência do que um processo penal.

Será que os homens que ocupam espaços de destaque no áudio criam uma imagem ruim da carreira para as mulheres? Ou será que na verdade se protegem contra a concorrência feminina?

De qualquer forma, continuo esperançoso de que mais mulheres venham a se interessar por áudio, seus equipamentos e tecnologias. Tenho certeza que só temos a ganhar.