Ultrapassando os limites do estéreo

(publicado em nov/2011)

Apesar da enxurrada de recursos e possibilidades que a tecnologia oferece atualmente, as inovações sonoras não aparecem na mesma proporção. Por exemplo, acho que a busca por novas estéticas de sonoridades era muito maior há 50 ou 60 anos do que hoje. Os pioneiros da música concreta dispunham apenas de gravadores magnéticos e pouquíssimos equipamentos eletrônicos, mas conseguiam ir muito além do que já existia. Será que não resta mais nenhum som diferente a ser criado?

Na década de 1970, o Pink Floyd explorava o som espacializado usando um sistema quadrafônico. No Brasil, na mesma época, cheguei a assistir um concerto de música eletroacústica em que o som, ainda que precário, era reproduzido por um sistema em volta do público.

Hoje, com o nível de qualidade altíssimo que já temos, me parece desnecessário aumentar ainda mais a resolução e a taxa de amostragem do áudio. Acredito que o que pode tornar a audição de música mais interessante e nos proporcionar novas experiências sensitivas é a imersão sonora. No cinema isto já é realidade há vários anos, mas nos espetáculos musicais praticamente ninguém explora essas possibilidades. Não por falta de tecnologia.

Uma boa tentativa neste sentido é a concepção da nova turnê d’O Rappa, em que a mixagem aproveita-se de duas torres de PA adicionais, posicionadas lateralmente atrás do público. O resultado é uma gama de novas possibilidades, ultrapassando os limites do som linear na frente do palco.